Por Nurit Bensusan / Globo OnlinePlaneta dos jumentos... também...
Bióloga, mestre em Ecologia, doutora em Educação, especialista em popularização da ciência

É muito impressionante… realmente é… Qualquer um de nós que já parou para pensar um pouquinho no assunto, certamente ficou embasbacado, boquiaberto…  Claro que eu poderia estar falando de muitas coisas aqui, desde a posse do novo presidente do Senado até às reações à blogueira cubana Yoani Sanchez, mas, na verdade, estou falando da diversidade de espécies na Floresta Amazônica!

Por que será que existe tamanha diversidade na Amazônia? Há várias respostas mas nenhuma definitiva: clima? Latitude? História evolutiva combinada com esses fatores? Agora, um projeto reunindo seis instituições brasileiras, oito dos Estados Unidos, uma canadense, uma argentina e uma britânica, entre universidades e jardins botânicos, busca responder a essa pergunta e de quebra tentar entender como era o ambiente e quais os organismos povoavam a região nos últimos 20 milhões de anos. Não é uma tarefa fácil, pois além do enorme e persistente desconhecimento das espécies amazônicas, há o desafio de integrar dados gerados pelas diversas áreas do conhecimento, com características diferentes. A escolha inicial é trabalhar com quatro grande grupos: plantas, aves, primatas e borboletas.

Vale lembrar que se estima que hoje conhecemos, segundo os mais otimistas, apenas 30% das espécies existentes no planeta. Na Amazônia, o desconhecimento se avoluma. Impressionante é que não há sequer consenso sobre a ordem de grandeza do desconhecimento… alguns falam que outros 8 milhões de espécies compartilhariam o planeta conosco, outros dizem que esse número pode chegar a 100 milhões.

Thomas Lewinsohn, professor da Unicamp, estimou que precisaríamos de cerca de 2 mil anos para descrever as espécies que temos no país. A questão é que se esperarmos esse tempo para tomarmos medidas para conservá-las, elas se extinguirão antes que cheguemos a conhecê-las… Além disso, com os avanços biotecnológicos, elas se misturarão, outras surgirão e o próprio conceito de espécie estará em xeque (talvez até mesmo xeque-mate!)

De todas as formas, entender os processos que geraram a megadiversidade amazônica pode ajudar a construir soluções de conservação, tentando preservar a integridade dos processos responsáveis pelo surgimento dessa diversidade.

Enquanto isso, valeria a pena entender como outros ambientes tropicais, em latitudes semelhantes, viraram grandes desertos… Será que as mudanças climáticas podem reservar um futuro dessa natureza para nossa luxuriante floresta tropical?

Clarice Gulyas e Barbara carneiro

Já está rolando? Leito seco do Rio Negro, em Iranduba, no estado do Amazonas, na seca de 2010, reputada como a pior dos últimos 100 anos… (Foto de Alberto César Araújo/Folhapress)

Mais informações  www.bioludica.com.br.

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